terça-feira, maio 30, 2006

Contagem Regressiva para a Copa do Mundo

Sair do emprego trará de imediato uma vantagem: poderei assistir a Copa do Mundo quase na íntegra; assim sendo, inauguro hoje uma série de postagens sobre os jogos do Mundial dando destaque às principais equipes. Obviamente o Brasil merecerá de minha parte, atenção especial.

Infelizmente a época de Copa, afora as partidas, é bem irritante, com todo esse ufanismo besta, esse afã de saber quantos quilos o Nazário esta pesando, qual a cor da cueca de Ronaldo Assis, enfim, as fofocas sem importância. Acima de tudo, o pior dos suplícios será ter de se submeter ao chatíssimo Galvão Bueno, o mala-mor do Brasil durante a Copa, superando até mesmo Lula e seu séqüito de vilões ou Júlia Assunção.

Hoje a seleção brasileira fez o primeiro amistoso preparatório antes do início do Mundial, contra o inexpressivo time suíço do Lucerna. Apesar da fragilidade do adversário, o escrete canarinho cumpriu a demanda mínima que lhe era imposta: aplicou retumbante goleada sobre o adversário ao natural.

O que se pôde concluir sobre esse jogo afinal? A primeira coisa que chamou a atenção foi que, mesmo com poucos dias de treinamento, a equipe já adquiriu contornos de entrosamento e espírito coletivo. Nitidamente evitando desgaste desnecessário, fez a bola rolar com consciência e qualidade, errando poucos passes e articulando com objetividade. Kaká já deu mostras de que poderá ser um grande destaque, movimentando-se por todos os setores do ataque, chegando de trás, armando, concluindo, entregando-se com abnegação às tarefas de contenção na saída de bola adversária, enfim, um refinado armador ofensivo. Particularmente, faz-se mister salientar o quão interessante foram as alternâncias de posicionamento entre ele e Ronaldo Assis, o que certamente dificultará a marcação adversária na Copa. As ultrapassagens em velocidade dos alas também assomam-se como importante recurso à ser explorado pelo selecionado de Parreira. No mais, o restante do time se portou a contento, Adriano e Ronaldo Nazário fizeram gols, Lúcio chegou duas ou três vezes ao ataque como elemento surpresa, Ronaldo Assis não brilhou mas deu assistências precisas, Zé Roberto juntando-se ao ataque articulou com qualidade e Emerson, quando exigido, saiu-se bem nos labores defensivos e no primeiro passa ao ataque.

Se ofensivamente a seleção não demonstra dificuldades, defensivamente problemas foram detectados, principalmente no meio-campo, que diversas vezes foi ocupado por jogadores de azul sem nenhum brasileiro nas cercanias. Isso fez com que a equipe suíça tenha partido algumas vezes ao ataque com certo perigo, inclusive criando duas chances claras de gol, uma em cada tempo, que só pararam em Dida. Acredito que Parreira deveria revisar sua convicção em manter o “quadrado mágico” (utilizando a exagerada expressão midiática) em prol de uma escalação de maior equilíbrio e consistência em todos os setores. Juninho Pernambucano muniu-se de credenciais para ser titular, tanto pela atuação de hoje, quanto pelo futebol eficiente e objetivo que vem demonstrando ao longo de suas temporadas européias. A questão é: quem poderia sair para que sua entrada fosse promovida? Não Emerson, Kaká muito menos. Falar em prescindir de Ronaldo Assis, indubitavelmente o melhor do mundo, é heresia. Resta Zé Roberto. Mas destarte continuaria sem solução o desequilíbrio do setor. Talvez a solução fosse retirar um dos dois atacantes, Ronaldo ou Adriano, adiantar Ronaldo Assis e formar um quadrado de meio campo com Emérson, Zé Roberto, Kaká e Juninho, com Ronaldo Assis como quinto homem e segundo atacante (o famoso “1” de Zagallo, instaurando uma espécie de 4-4-1-1). Desse modo, devido à necessidade em marcar-se Ronaldo Assis de cima e não descuidar de qualquer um dos centroavantes que estejam em campo, abririam-se espaços para os avanços de Kaka e, alternadamente, Juninho e Zé Roberto, bem como daria liberdade para os avanços em velocidade dos alas. Ainda, não nasceu defensor capaz de anular de todo jogadores da cepa de Ronaldo Assis, por mais esforço que o certamente malfadado beque imprima.
Tudo são apenas confabulações; Parreira está irredutível em sua escalação inicial e ela não é, absolutamente, equivocada em teoria. Espera-se, contudo, que o poder ofensivo de jogadores desse quilate seja capaz de anular quaisquer problemas que o sistema defensivo porventura venha a enfrentar. Mas os augúrios para a seleção Brasileira são decerto dos mais rutilantes.


Cygnus

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