Sad Monday... :-(
Confesso a vós que a derrota do Internacional, sábado, no Beira-Rio, ainda não foi digerida. Permaneço ainda ruminando o resultado, os ecos da trágica goleada teimosamente voltando à superfície dos sentimentos. O que, afinal de contas, teria acontecido ao Internacional?
Antes que alguém indique o que parece óbvio, o time mais qualificado entrando com soberba para enfrentar o de menos recursos técnicos, o famoso “salto-alto”, desde já afirmo que esse erro psicológico, tão comum no futebol, inexistiu. O resultado deu-se mais por méritos do Figueirense do que deméritos do Internacional, malgrado esses tenham ocorrido e contribuído para decretar o assombroso escore final.
Comecemos então pelos méritos da equipe catarinense: defesa sólida em todos os setores, contendo os avanços do Inter pelas alas e engessando a articulação de meio-campo da equipe gaúcha; sentimento coletivo, o que se mostrou pela excelente distribuição da equipe em campo; marcação implacável e incansável; compactação robusta em seu campo de defesa aliada a saídas velocíssimas em contra-ataque, chegando à frente por vezes com quatro ou cinco jogadores; inacreditável aproveitamento ofensivo; a habilidade de Soares e Schwenk, já sagrados como gratas revelações desse Campeonato Brasileiro que já deixa de ser incipiente.
E os deméritos do Internacional? Eis aí um mister difícil de se definir, afinal Abel Braga optou por uma escalação equilibrada em seu sistema tático favorito, o 4-4-2. A única ausência questionável foi a de Índio, mas o treinador do Inter preferiu contar com o entrosamento entre Bolívar e Fabiano Eller, bem como valorizar o lateral Ceará, cuja posição de ofício e pela qual ele está no Internacional é justamente a ala. Era isso ou repetir o 3-5-2, de magníficos resultados, tanto de escore como de mecânica de jogo, contra o São Paulo. Pois a única diferença nos dois times foi a abdicação de mais um zagueiro para a entrada de Fernandão no meio-campo. Em teoria a escolha de Abel me pareceu acertada, afinal Ceará não oferece a mesma capacidade que Elder Granja no apoio ao ataque e Fernandão aliado à boa fase de Alex decerto garantiria qualidade criativa ao meio-campo do Inter. Resguardando a defesa continuava a dupla de volantes Fabinho e Edinho e, no ataque, Rafael Sobis e Renteria, seguramente a melhor opção ofensiva atualmente no Inter. E, realmente, o ataque funcionou a contento, marcando dois gols e finalizando outras tantas vezes, contra uma defesa robusta. Fernandão chegando de trás conseguiu, enfim, exercer sua capacidade de finalização, tanto de cabeça quanto com os pés e, embora sua participação na articulação não tenha sido das mais brilhantes, aquém da expectativa que se tinha, ele foi capaz de trocar passes com qualidade e inteligência. Destarte, conclui-se que o que levou à derrota, humilhante em seu escore e no que foi visto no jogo, foi a defesa, desde muito mostrando-se como o setor mais sensível e deficiente do time. O jogo aéreo novamente foi problema crônico e, no chão, tanto Eller quanto Bolívar estavam perdidos, mal posicionados e em jornada extremamente negativa. Bolívar, principalmente, mostrou-se reiteradas vezes desatento e inseguro. Soma-se à má jornada da zaga a deficiente proteção á defesa, Edinho mal, Fabinho também em dia nefasto, e tem-se a resposta que se procurava para explicar a derrota. Como faltou apuro tático defensivo ao Inter no sábado! Reiteradas vezes ambos volantes subiam ao ataque, perdiam a bola e deixavam a defesa em maus lençóis pelo meio. Nas alas, o mesmo problema se repetiu, com partidas simultâneas de Ceará e Jorge Wagner (novamente jogando bem, mas não tanto como nas últimas partidas). Assim sobravam espaços para que a equipe de Adílson Batista jogasse com liberdade e velocidade no campo do Inter, marcando quatro tentos e perdendo mais duas chances claríssimas de gol, que por milagre não foram convertidos.
Concretizou-se novamente a tradicional maldição que recaí sobre o Internacional sempre que este tem a chance de chegar à liderança. Também reavivou-se a tradição de dificuldades contra os coadjuvantes do campeonato. Espero que as lições dessa derrota tenham sido assimiladas e que os jogadores não mais permitam que tragédias semelhantes aconteçam novamente.
Cygnus
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