terça-feira, dezembro 26, 2006



COMETS ON FIRE - AVATAR

Eis aí senhores, na humilde opinião desse escriba, o melhor disco de 2006. De fato, em termos de preferência pessoal, coloco esse álbum já no patamar dos clássicos, mesmo que seja assim tão recente. Ocorre que o rock é uma espécie de fonte de idéias, donde as mais diversas bandas extraem o sumo sônico e lhe moldam conforme um ideal estético. Por isso é o rock atemporal, por isso é o rock o gênero musical mais marcante de nossa era. E por conta de formações como o Comets On Fire ele nunca fenece; bandas assim lhe induzem vigor, renovação e lhe propelem a surpreendentemente inauditas incursões nos mais elevados patamares de desassombro criativo.

É difícil a um só tempo escancarar referências e ainda manter identidade e caráter atual quando se faz rock hodiernamente. Mas a banda em tela o consegue e ainda passeia livremente por todo tipo de experimentalismo, mesmo que de maneira mais comedida do que nos discos anteriores. Se antes a banda era experimentalmente radical aqui eles abrem espaço para um senso de composição mais amadurecido e certeiro. Ou seja, a experimentação é controlada e direcionada para musicas mais ortodoxamente estruturadas. O que não quer dizer, absolutamente, que falta peso ou insipiração. Ao contrário, ambos fatores estão mais pungentes do que nunca no som da banda, fluindo com admirável destreza por toda sorte de idéias mergulhadas em caos elétrico. O terror noise urdido pelos demenciais Ben Chasny e Ethan Miller, acid twins munidos de guitarras siderais vertidas em geratriz de texturas abrasivas, a voz do segundo modulando entre o agonico, o visceral e o emotivo e catapultando-se ardidamente over the top no refrão escorrendo feito magma pelo canal auditivo, inundando o cérebro, um excitamente neuronial extremo - e é apenas a abertura, Dogwood Rust. Que já revela que há um novo mastodonte das baquetas, cria direta da tradição de brutalismo primitivo da percussão rock setentista, Utrillo Kushner. Aliás, nem sequer vale a pena comentar isoladamente cada membro da banda; são todos multinstrumentistas e bastante técnicos. As musicas contudo merecem algumas linhas de descrição; jaybird é uma correspondente atual do que fora Black Dog do Led Zeppelin (referência quase panfletária), Lucifer's Memory é a balada do disco, em sua evolução blues comovente, holly teeth reedita Blue Cheer em inflexão hardcore e por aí vai. O fecho do disco é a magistral hatched upon the age, de longe a melhor musica dos ultimos tempos.

Discaço, quanto mais se ouve, mais se gosta.

Cygnus

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BACK!!!! No more!