
Faixas:
1- To Earth With Love
2- Sunchild
3- Dnimehts Of Us
4- Seashore Trees
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Dentre as descobertas sensacionais do ano de 2007, figura no topo indubitavelmente a banda sueca The Spacious Mind. Tal entendimento se consolidou à primeira audição de To Earth With Love: é a trilha sonora da gênese do universo, a emulação turbulenta e metafísica de dionisíacas orgias das deidades psicodélicas, induzindo a mente a um estado de catatonia psicotrópica, pulverizando o intelecto, restando ecos de lucidez, para a Terra, com amor.
Há, com efeito, uma inequívoca tintura hippie tingindo a sonoridade de Cosmic Minds At Play; trata-se, contudo, não da iridescência primordial do movimento, irradiando brumas púrpuras de beatitude transcendente, mas sim das sulfurosas emanações dark side da psicodelia hellraiser, conjurando / celebrando o requiém da propulsão onírica daquele movimento. É, pois, blasfema cabala sônica no âmago do mais inconsciente abismo mental, quiçá a Gehenna e o recomeçar póstumo, a recriação cósmica a partir de fragmentos do Apocalipse.
E pouco importa a duração dessas lisérgicas epopéias, já que o tempo, na cosmovisão pretendida pela banda, é eterno presente dissolvendo-se em reflexos calcinantes na luz dos séculos. Ora, ao ouvir o folk alienígena de Dnimehts Of Us, onde tramas acústicas de beleza transfinita são envolvidas e revolvidas por caudalosas ondas de surrealismo alucinógeno via drones e synths dissonantes, submergindo harmonias vocais entorpecidas e peregrinando por entre os gêiseres da sedação infinita, nada é mais descabido que noção de tempo.
De todo modo, o que até agora escutamos tão somente prepara a heresia final, épico essencial para acabar como todos os épicos essenciais da história da música psicodélica: Seashore Trees. Como, pois, prever o devastador arranque que propele esta galáxia do estraçalhamento transpsicodélico em trajetória errante e descontrolada por sendas hostis no pós-armageddom sideral traduzido em desatino instrumental via bordoadas ofegantes desferidas por bateria free form; guitarras plasmando oceanos elétricos inundando ao colapso o sistema nervoso; o baixo trovejando como Cérbero rugindo nos portões do Hades. E daí como prever a sutil transmutação que se opera no andamento da canção, remetida à gélida nevasca radioativa precipitando-se ácida sobre geleiras fulgurantes de placidez etérea num repente enveredando pela melancolia de um mantra boreal entoado por xamã pagão no começo dos tempos.
Baixem e comentem e digam se é exagero ou se estou errado.
