segunda-feira, novembro 12, 2007

The Spacious Mind - Cosmic Minds At Play


Faixas:


1- To Earth With Love

2- Sunchild

3- Dnimehts Of Us

4- Seashore Trees


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Dentre as descobertas sensacionais do ano de 2007, figura no topo indubitavelmente a banda sueca The Spacious Mind. Tal entendimento se consolidou à primeira audição de To Earth With Love: é a trilha sonora da gênese do universo, a emulação turbulenta e metafísica de dionisíacas orgias das deidades psicodélicas, induzindo a mente a um estado de catatonia psicotrópica, pulverizando o intelecto, restando ecos de lucidez, para a Terra, com amor.

Há, com efeito, uma inequívoca tintura hippie tingindo a sonoridade de Cosmic Minds At Play; trata-se, contudo, não da iridescência primordial do movimento, irradiando brumas púrpuras de beatitude transcendente, mas sim das sulfurosas emanações dark side da psicodelia hellraiser, conjurando / celebrando o requiém da propulsão onírica daquele movimento. É, pois, blasfema cabala sônica no âmago do mais inconsciente abismo mental, quiçá a Gehenna e o recomeçar póstumo, a recriação cósmica a partir de fragmentos do Apocalipse.

E pouco importa a duração dessas lisérgicas epopéias, já que o tempo, na cosmovisão pretendida pela banda, é eterno presente dissolvendo-se em reflexos calcinantes na luz dos séculos. Ora, ao ouvir o folk alienígena de Dnimehts Of Us, onde tramas acústicas de beleza transfinita são envolvidas e revolvidas por caudalosas ondas de surrealismo alucinógeno via drones e synths dissonantes, submergindo harmonias vocais entorpecidas e peregrinando por entre os gêiseres da sedação infinita, nada é mais descabido que noção de tempo.

De todo modo, o que até agora escutamos tão somente prepara a heresia final, épico essencial para acabar como todos os épicos essenciais da história da música psicodélica: Seashore Trees. Como, pois, prever o devastador arranque que propele esta galáxia do estraçalhamento transpsicodélico em trajetória errante e descontrolada por sendas hostis no pós-armageddom sideral traduzido em desatino instrumental via bordoadas ofegantes desferidas por bateria free form; guitarras plasmando oceanos elétricos inundando ao colapso o sistema nervoso; o baixo trovejando como Cérbero rugindo nos portões do Hades. E daí como prever a sutil transmutação que se opera no andamento da canção, remetida à gélida nevasca radioativa precipitando-se ácida sobre geleiras fulgurantes de placidez etérea num repente enveredando pela melancolia de um mantra boreal entoado por xamã pagão no começo dos tempos.

Baixem e comentem e digam se é exagero ou se estou errado.

sábado, novembro 10, 2007

White Noise - An Electrical Storm


Faixas:


1- Love Without Sound

2- My Game Of Loving

3- Here Comes The Fleas

4- Firebird

5- Your Hidden Dreams

6- The Visitation

7- The Black Mass - An Electrical Storm In Hell

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Após dois posts rock and roll, resolvi enveredar por outro território musical, disponibilizando o magistral An Electrical Storm, da "banda" inglesa White Noise. Pioneiros da música eletrônica (à época conhecida como "elétrica" - rock era musica amplificada) juntamente com a igualmente britânica Silver Apples e a estadunidense The United States Of America, o projeto, constante de uma parceria entre sonoplastas da rede de televisão BBC resultou em um disco brilhante e revolucionário, suplantando a precariedade tecnológica da era pré-moog com infrene ímpeto desbravador e coruscante criatividade.

Lançado em 1969, o álbum em tela configura-se em inebriante fusão do pop psicodélico sessentista com a vanguarda eletrônica, incorporando elementos estéticos improváveis: fosse manipulando sons incidentais, jingles de séries de TV e musiqué concréte - tudo articulado através de colagens e uso de recursos de estúdio no limiar das possibilidades oferecidas - fosse explorando os osciladores de frequencia (responsáveis pelos sons space daquela época) ou investindo em passagens pop ortodoxas, o que importava era criar musica original, pungente e relevante, mister levado a efeito com incrível senso artístico, jamais caindo na auto-indulgência. A musica do White Noise é dinâmica e elegante, com amosferas ora assutadoras, ora blasé derramando-se por bares noir enfumaçados da beat generation.

Com efeito, tal sofisticação fica patente em faixas como a abertura Love Without Sound, narcótica balada psicodélica num repente dissolvendo-se em enigmática passagem fragmentária e sons literalmente orgásticos, na bela My Game of Loving remetendo a imaginação a uma espécie de boemia onírica essencialmente vintage, na labiríntica Here Comes de Fleas, pejada de assimetrias e climas cabaret/circense ou na sobrenatural The Visitation, conto fantasmagórico sobre um morto que resolve voltar e consolar os que aqui ficaram - e, de fato, a ambiência conjurada nessa música consegue efetivamente induzir medo e suspense. O disco culmina na avassaladora The Black Mass - An Electrical Storm In Hell, mefistotélica jam instrumental, gradualmente propelida a um final hipercinético arrebatador.

An Electrical Storm, pelo seu caráter singular e pela impressionante integridade ao longo de sua duração, malgrado o mosaico estilístico, é um disco simplesmente essencial - quem busca música além do ortodoxo palatável há de maravilhar-se com esse álbum.














quarta-feira, outubro 31, 2007

The Allman Brothers Band - At Fillmore East



Faixas:

1- Statesboro Blues

2- Done Somebody Wrong

3- Stormy Monday

4- You Don't Love Me

5- Hot 'lanta

6- In Memory Of Elizabeth Reed

7- Whipping Post


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Indubitavelmente banda basilar da história do rock and roll, The Allman Brothers Band elevou o southern rock, gênero de sonoridade bastante conservadora, ao state of art nos patamares qualitativos das melhores produções de vanguarda de qualquer gênero.


Malgrado não ser lá muito afeito aos discos de estúdio dos americanos, justamente por ali não haver grande emoção e transcendência, apesar de inegável destreza técnica superior, o disco em tela é dos melhores que já ouvi, registro essencial em que se desvela o colossal poderio musical da banda quando laborando em seu habitat natural - no caso o mítico stage da casa de shows novaiorquina Fillmore East, templo sagrado onde foram conjurados alguns dos mais inebriantes rituais de paganismo sônico da música mundial.


Eis que no álbum ora tratado, a banda converte blues tradicionais como a abertura Statesboro Blues em peças de qualidade metafísica, sublimes workouts de opulência musical para além de redundantes reproduções conservadoras como ocorria nos seu discos regulares, por obra e graça do talento musical supino de seus membros, em especial Duane Allman, mestre inconteste das seis cordas, com seu som técnico, elegante e criativo, possuidor de notável senso de improviso e perspectiva melódica.


Para além dos standarts, temos canções pinçadas meticulosamente no repertório da banda, tais como a instrumental In Memory Of Elisabeth Reed e a magistral Whipping Post, temas por si só poderosos, mas que ao vivo transfiguram-se em mefistotélicas sinfonias de celebração rock psicotrópica. O restante do álbum resta no mesmo nível; cada passagem revelando nuances assombrosas e surpreendentes desta que é considerada por muitos a mais sensacional formação a já ter pisado em um palco no planeta.


Resumindo, o álbum disponibilizado é um dos mais brilhantes de todos os tempos, imprescindível.



terça-feira, outubro 30, 2007

Blue Cheer - Vincebus Eruptum


01 - Summertime Blues
02 - Rock Me Baby
03 - Doctor Please
04 - Out of Focus
05 - Parchment Farm
06 - Second Time Around
DOWNLOAD:


A re-inauguração do blog merece um álbum a altura, compatível com seu novo caráter, ou com a retomada da essência originalmente proposta neste espaço. Depois de muito pensar, acabei por decidir-me pelo magnífico Vincebus Eruptum, da banda americana Blue Cheer; pérola perdida, sem dúvida um dos álbuns mais intensos e revolucionários da história do rock.

Lançando em 1968, Vincebus Eruptum à época não logrou grande sucesso junto ao público, ainda que tenha sido devidamente apreciado por uma geração de garotos que viriam a formar algumas das maiores bandas de rock and roll nas décadas vindouras. Culpa, por óbvio, do caráter inacessível do disco, em seu contexto, em plena época hippie e ainda hoje, apesar de o cover de Summertime Blues, canção originalmente lançada por Eddie Cochran ainda nos anos 50, ter obtido um Top 40 no chart de singles americano. Vincebus Eruptum, a estréia da banda, era heavy metal antes de surgir o heavy metal como gênero, delineou o stoner três décadas antes de surgir um movimento de bandas associadas a essa sonoridade, eletrocutou o blues em voltagem, talvez, mais alta que o próprio Led Zeppelin; em suma: foi o álbum mais arrebatador e brutal lançado até então.

Com efeito, a agressividade inerente ao álbum fica patente em faixas demolidoras como a já citada Summertime Blues, Doctor, Please e Parchment Farm, devastações de acabamento hard/psicodélico ultra saturado e demencial, bem como no blues de construção tradicional Rock Me Baby, no que difere pelo arrojo eivado de psicodelia hellraiser, no rock and roll certeiro e pejado de groove conjurado em Out Of Focus e no deformado épico de encerramento, a fabulosamente tortuosa Second Time Around. Liricamente, a banda nos brinda com temas essenciais da subversão rock and roll: drogas, sexo e condução instintivamente desregrada da vida.

Eis então senhores, Vincebus Eruptum: verdadeira OBRA-PRIMA, disco nascido essencial: é por álbuns assim que se forjam os sonhos sombrios e transgressores do rock and roll.

Cadafalso da Moral em nova fase

Aos insignes leitores, se é que há algum:

O Cadafalso da Moral entra, à partir de agora, em nova fase. Além da alteração no layout, saem os posts sobre futebol, que terão um blog à parte e passará a focar apenas em música, literatura, filosofia e cinema, bem como na produção intelectual de minha própria lavra.

É isso, espero que gostem.

Theo