Consoante a proposta do blog em apresentar discos de todo exilados das sendas mainstream, inauguro uma série de postagens sobre discos essenciais para que se ampliem os horizontes da compreensão musical, através de obras cujo ethos seja, primordialmente, a arte e a capacidade de induzir estados de letargia onírica no apreciador.Isto posto, falemos agora dessa portentosa obra que trago a vós, meus áticos leitores: o magnífico Ash Ra Tempel, debut da homônima banda teutônica. Cá estou eu delirante ante a audição desse disco, cavilando de que modo seria possível transpor para o terreno das palavras a sensação provocada pela sonoridade do álbum em tela. Pois bem, tentarei pelo viés menos racional, sendo espontâneo, malgrado o texto perca em riqueza literária.
Pois então, de que se trata o mírifico álbum? Basicamente de uma sucessão de soundscapes alucinógenas, uma alquimia vertiginosa entre guitarras psicodélicas, improvisações avant jazz e sintetizadores em modulações ambient space. São tão somente duas canções: Amboss e Traummaschine, ambas de longa duração, abrindo espaço para toda sorte de experimentalismos e policromias sônicas que desejassem os músicos levar a efeito. Alicerçadas em cadências mesmerizantes de progressão dramática e intensidade infrenes, as canções são pontuadas por explosivas emanações de guitarra, densas e arrebatadoras, drones sólidos e esmagadores, em contraste com momentos diáfanos de minimalismo plácido e cativante. Ainda, o silêncio se faz presente nos mais oportunos momentos, graças à perspicácia dos músicos em manter os rumos tomados pelas canções em constante suspense. Ambas as músicas se contrapõe ao mesmo tempo em que se complementam: enquanto Amboss funciona - com sua construção iniciada em uma espécie de bruma lisérgica e plácida remetida de maneira vigorosa e constante rumo a um apogeu freakout de guitarras tonitruantes e petardos percussivos – como uma espécie de introdução ao multiverso sônico instaurado pelos alemães, Traummaschine é o réquiem, tomando como início o final de Amboss e gradualmente tornando-se trovejante; esvaindo-se então numa placidez etérea e hipnotizante.
Insomma, um disco digno de levar o epíteto de genial!
Cygnus
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