quinta-feira, maio 11, 2006

Derrota nos Andes, pero bons augúrios para a volta!

Enfim finda a invencibilidade do Internacional, vergada nos Andes, no topo da América. Mas sobram motivos para enaltecer tanto resultado quanto atuação.

Já era previsto que o Colorado enfrentaria insofismáveis difculdades, advindas das circunstâncias: jogo decisivo, na casa do adversário, a pressão da torcida, a altitude. Somam-se às dificuldades das circunstâncias a propagada qualidade do elenco adversário e então equacionam-se as dimensões do desafio que se assomava ao Inter.

Inicia o jogo, erros de passe de lado à lado, a LDU inquieta, o Inter buscando adaptar-se à bola, ao adversário. E o time da casa iniciou na pressão, na tentativa do abafa. Até os cinco minutos apenas o adversário jogou, mas sem efetividade. Após esse período, o Inter equilibrou as ações. Controlando o meio campo, segurava as investidas centrais, anulando o meia Palacios. Sobrava para a LDU explorar os lados do campo e aí apareceu o caminho para a vitória. O lado esquerdo restou descoberto durante toda a partida, foi problema crônico ao longo do jogo e por ali ocorreram as investidas mais perigosas do time equatoriano, incluindo-se os gols. Jorge Wagner teve uma atuação soberba, apoiando e auxiliando na articulação das jogadas, mas o preço por essa atuação foi a perda de poder defensivo pela esquerda. As correções de Abel, de intenção acertada, não surtiram efeito, pela falta de qualidade de Rubens Cardoso, que durante sua estada em campo, quando não mal posicionado, foi completamente envolvido pelo hábil ala direito equatoriano.

Porém, foi o Inter quem abriu o placar, com belo gol de Jorge Wagner chutando da entrada da área. Em seguida, mais dois tentos foram impedidos por sensacionais defesas do arqueiro equatoriano. A LDU ameaçou em diversas ocasiões, vencendo reiteradas vezes a zaga colorada pelo alto. Entretanto, mesmo assim, a zaga mostrou-se valorosa e segura; era humanamente impossível afastar todas as bolas que foram alçadas para área, e no combate terrestre, mostrou-se soberana. Erros de posicionamento na jogada aérea, contudo, devem ser corrigidos.

Veio o segundo tempo e, até os 20 minutos, o Inter continuou absoluto em campo, controlando as investidas da LDU, trocando passes com inteligência e ameaçando, embora com menos ímpeto, o gol adversário. Quando o placar foi igualado, aos 12 minutos, nem assim o Inter esmoreceu em sua postura tática. Abel, percebendo o problema crônico pelas laterais, sacou Perdigão e Alex, de satisfatórias atuações, e promoveu as entradas de Ceará e Rubens Cardoso, a fim de fortalecer a marcação pelos lados do campo. Para recompor o setor central, rearranjou Jorge Wagner e Elder Granja para lá. Infelizmente, tal medida, pelo lado esquerdo, mostrou-se inócua, malgrado os avanços da LDU pela direita tenham sido contidos. Rubens Cardoso entrou mal, não soube colocar-se com inteligência em campo e, no combate direto, acabou sempre envolvido.

Após esse período, a altitude entrou em campo e fez-se sentir pelos jogadores. Para racionar o fôlego, o time compactou-se em seu campo, encurtando os espaços a serem percorridos e diminuindo a distância para as trocas de passes. Com metade do campo à disposição para arrumar-se para o ataque, a LDU partiu com tudo para cima, adonando-se do jogo e levando perigo. Entretanto, ainda assim, a defesa mostrou-se sólida, antecipando-se às jogadas e levando a efeito um ou outro contra ataque. A entrada de Rentería no lugar de Fernandão - novamente em má jornada, excruciado pela posição em que está escalado e que não é sua - deu sobrevida ao setor ofensivo, apesar de ser um guerreiro solitário ante os zagueiros equatorianos. Melhor seria promover sua entrada no lugar de Michel, deixando Renteria e Fernandão próximos.

Aos 39, enfim, a abnegação da LDU foi recompensada. Em jogada rápida pela esquerda, o ala Reasco entrou livre e cruzou para o centro da pequena área onde encontrou o avante Graziani que apenas escorou, com o peito, para as redes. Decretava-se o escore final.

Considerações: o Internacional, pelas conjunturas, realizou excelente partida, apesar da derrota. Jogando fora de casa, com um adversário qualificado, segurou a pressão (apesar dos dois gols), marcou o seu, que deu-lhe grande vantagem para a partida de volta, e foi superior a LDU em grande parte do tempo. O time todo esteve em boa jornada, à exceção de Fernandão, mal escalado, e, novamente Michel, péssimo! É impossível entender o que se passa na cabeça de Abel Braga diante da insistência com Michel, legando o banco de reservas a jogadores da torga de Iarley, Rafael Sobis e Renteria. Sobraram espaços na defesa equatoriana, principalmente no primeiro tempo. Estando um desses jogadores no lugar do bisonho Michel, poderia o Inter ter feito até mais que o gol singular. Entretanto, para a partida de volta, ao nível do mar, a história, pelo futebol aprsentado pelo Internacional, há de ser outra!


Cygnus

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