“A Alemanha quer mesmo é ganhar na estréia”!
Oh céus, quem teria zurrado tamanha obviedade? Sim, ele, Malão Bueno, lá pelos 30 minutos da segunda etapa quando o placar do jogo de abertura da Copa do Mundo achava-se em 3x2 para os donos da casa. Será dos piores tormentos intelectuais submeter-se à “narração” do Malão durante o mês de junho. Entretanto, as alternativas não são melhores: ontem assistindo ao VT do treino da seleção brasileira durante a madrugada no canal a cabo SporTV, passei raiva diante do aluvião de bobagens perpetradas por repórteres e comentarias irritantemente obtusos e pedantes. Enfim, o que não tem remédio, remediado está.
Mas sigamos ao que realmente interessa, o futebol: pela partida realizada hoje, pode-se depreender que a Alemanha realizará grande campanha. Claro, seu futebol não é rutilante, daquele que arranca suspiros da torcida pelas jogadas de efeito ou beleza plástica dos lances. O futebol praticado pelo esquadrão ariano é de eficiência, posse de bola e senso coletivo in extremis. Atacando sempre em bloco, empurrando o adversário em direção à sua área, trocando passes com inteligência e mantendo a pelota nos pés no campo do adversário a maior parte do tempo, o time mostra muita organização tática e vigor, além de ser gélido; os jogadores jamais erram por emoção ou ansiedade. O time alemão não é urgente, não é vibrante, não entusiasma amantes de futebol arte. Mas conta com jogadores de satisfatória qualidade técnica e aplicados à filosofia do jogo coletivo. Destaques salientes à primeira vista são as passagens dos alas pelos dois lados do campo, a capacidade de finalização, a meia cancha consistente, inversões freqüentes de bola da direita para a esquerda e vice-versa, e a qualidade de vários bons jogadores, principalmente Schneider, articulador frio e inteligente, de passes precisos e cadencia de jogo constante, e Klose, excelente finalizador, com muita movimentação ofensiva e penetrações de perigo na área adversária.
Contudo, nem tudo são flores na seleção montada por Klinsmann. A defesa é terrivelmente frágil e mal disposta. Jogando em linha, sem o tino para deixar o ataque adversário em posição de impedimento, teve trabalho com o ataque costarriquenho, que foi eficaz marcando os dois gols que foram oferecidos pela escassez de chances criadas. Repito: a solidez do time alemão se erige quando estão com a bola nos pés. Sem ela, a esperança é na marcação na saída de bola; no confronto direto com a defesa, um bom ataque há de levar sempre vantagem.
Em suma, boa a estréia da Alemanha. Fez 4x2 em um adversário frágil, comandou o jogo e mostrou que pode ir longe. Como, aliás, é sua tradição.
Cygnus
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